Atiro

“Rose is a rose is a rose is a rose.”

Sacred Emily in Gertrude Stein’s ‘Geography and Plays’ (1922) (1)

O imaginário na obra de Alexandre Coxo vagueia algures entre o exercício de contemplação e meditação, pautado pela perseverança no domínio da técnica na arte. Não será descabido situá-la algures entre os pressupostos dos mitos de Prometeu e Orfeu, na dualidade entre o fogo roubado aos deuses e o encantamento dos mesmos pela lira.

Os exercícios propostos por Alexandre nesta exposição são, ainda que pessoais, comuns a todos nós. São exercícios onde a libertação se processa tanto pelo roubo do fogo, no que toca à técnica, como pelo encantamento proporcionado pela meditação, alimento que serve para induzir fenómenos cogitativos no espectador.

 Jacob Bronowski diz-nos que “(…) a pintura rupestre é, tal como o instrumento da pedra lascada, uma tentativa de controlar o ambiente ausente e ambos são criados com o mesmo espírito; são exercícios pelos quais o Homem se liberta dos impulsos mecânicos da natureza.” (2)   

A natureza do Homem Contemporâneo é uma natureza de emulações, baseada em pressupostos sociais mais ou menos rígidos, e de significado muito primitivo. É na tentativa de resposta a um objectivo maior que Alexandre nos atira para o seu imaginário de contradições num exercício depurado que nos liberta e nos convida a procurar o equilíbrio na contradição entre o processo autoral e  o ensaio reflexivo.

(1) STEIN, Gertrude. Geography and Plays. University of Wisconsin Press, 2012.
(2) BRONOWSKI, Jacob. Arte e Conhecimento: ver, imaginar, criar [The Origins of Knowledge and Imagination]. Lisboa: Edições 70, 1983.

 

Carlos Trancoso

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