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De Clandestino a Artista Plástico

 

Entrevista a Domingos Júnior

por Alexandre Coxo, 17 de Outubro de 2020

Domingos Júnior nasceu em Moçambique, na então Lourenço Marques (Maputo), no ano de 1950. Aí frequentou o núcleo de Arte sob a orientação do pintor António Quadros entre 1964 e 1968. Licenciou-se em Arquitetura pela ESAP.

Foi docente da área de Expressão Plástica do 2º ciclo do Ensino Básico. Na ESAP, foi docente do curso de Arquitetura, e na UTAD dos cursos de Educadores de Infância, Professores do 1º ciclo, Arquitetura Paisagista e Engenharia Ambiental. Também, exerceu arquitetura em empresas e em atelier próprio.

Atualmente, desenvolve a atividade de artista plástico, comissariado e organização de actividades culturais, que pratica desde 1993.

 

Nesta entrevista, Domingos dá-nos a oportunidade de saber como foi a atividade política antifascista e o papel da arte nessa altura. Também nos fala das suas influências, de como vê o mercado da arte e das seus mais recentes obras.

Antes de ser arquiteto esteve envolvido em atividades políticas, essas experiências relacionam-se com o que entende por arte?
Claro, porque toda a atitude política que nós temos se reflete no que fazemos, seja arte ou não. Ao fazer arte não consigo escapar ao refletir e ao incluir nas obras todo os valores porque me debato na política. Mas não de uma forma propagandística ou fundamentalista.

 

Alguma vez fez um trabalho que seja explicito do ponto de vista político?
Não, não acho que a arte tenha de ser propagandística. A não ser quando ela tenha exatamente essa intensão e nesse sentido já fiz. Uma vez pediram-me um cartaz para comemorar o 25 de Abril, e ai fiz um cartaz com determinados estereótipos, que, embora de uma forma não estereotipada do ponto de vista do desenho, tiveram de ser representados: a paz, os cravos, a guerra colonial, a pomba, os cravos, enfim… os símbolos que são usuais, não obrigatoriamente, mas naquela altura senti que teria de ser assim.
A arte do ponto de vista da atividade em si, não tem de ser propagandística necessariamente. Também, não nego que possa ser. Conheço muitos artistas que o são e que o são de forma explicita, por exemplo, todos os artistas que trabalham no contexto do realismo socialista são explícitos na propaganda do que estão a fazer, até porque tem uma encomenda muito rígida a que responder. E nem por isso, alguns deles, foram artistas menores. Antes do advento do Nazismo houve artistas que fizeram obras brilhantes do ponto de vista da denuncia dos horrores do que para aí vinha, na altura, como o Grosz.
Não ponho de parte este tipo de coisa, mas não vejo necessidade, neste momento, de transformar a minha obra num panfleto ou outro meio de propaganda. As ideias estão lá plasmadas, mas de uma forma subtil. Às vezes, de forma tão subtil que eu tenho consciência que as pessoas poderão não entender. Por exemplo, eu fiz uma série em lápis de cor, baseadas numa coisa que parecia abstrata, porque àquela escala não se percebia que a referência eram imagens de vírus, bactérias, etc. Eram imagens manipuladas a partir dos 10 micro-organismos mais mortais que existiam à época, exatamente para ilustrar a metáfora de uma coisa lindíssima e angélica cuja imagem mente. No fundo o que lá estava plasmado não era nada belo. O que eu queria discutir era a imagem, que pode ser muito bela, mas pode ter por trás coisas muito más e por isso propagandear coisas muito más. Por isso é que não quero fazer uma arte propagandística.

 

Acha que ainda faz sentido falar da democratização da arte?
Eu acho que…

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Conheça a opinião de Domingos júnior sobre os desafios da atividade politica clandestina, sobre o estado da cultura em Portugal e os seus mais recentres projetos enquanto artista plástico.

 

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Entrevista Completa

 

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